setembro 03, 2011

A lenda da Rosa Imortal


A lenda da Rosa imortal
(Por Wendel Araújo)

Os antigos contam que havia um jovem, simples e de coração puro,
Não era belo, mas suas palavras encantavam as pessoas.
Sempre que encontrava com alguém tinha algo interessante para dizer,
Mesmo que fosse apenas algo engraçado que lhe acontecera.

Uma certa vez, encontrou uma linda jovem,
Seus olhos pareciam mais pedras de safiras de tão lindos,
Sua voz, a primeira vez que ele ouviu o congelou por dentro,
Não tinha mais palavras, não sabia o que dizer.

Ela, apesar de não acha-lo bonito, gostou do seu jeito divertido,
Conversavam todos os dias, assuntos diversos,
Ele apaixonando cada dia mais por ela,
Ela apenas encantando com ele, como todo mundo.

Depois de alguns meses, como estava amando aquela jovem com todas as forças
Decidiu criar coragem e lhe falar de seus sentimentos,
Ela, claro, já tinha percebido, e lhe falou a verdade,
Sim, contou-lhe que não o amava, que até gostaria, mas esse sentimento não havia nascido nela também.
Mesmo decepcionado ele não desistiu, continuou agindo da mesma forma com ela,

A jovem, ao perceber quão nobre era aquele rapaz, que tudo fazia para agrada-la
Pensando que o amor poderia vir com o tempo, resolveu lhe dar uma chance,
E ele, um dia quando estavam juntos, percebeu que ela já havia cedido um pouco,
Olhando fixamente em seus olhos, aproximando dela, sentindo seu aroma,
Lhe sussurrou meio tremulo: Posso lhe beijar?
Sem nenhuma palavra proferir, com apenas um gesto com a cabeça respondeu positivamente,
Com a boca seca, respiração quase nula, encostou sua boca nos lábios delicados da linda jovem.
Em sua mente, ele ouvia fogos de artificio, explodiam em silêncio,
E como um filme, aquele momento foi gravado eternamente em seu coração.

No dia seguinte, bem cedo, antes mesmo da alva nascer, e de sua amada acordar,
Ele estava sentado no passeio, à porta da casa dela.
Esperava ansioso por ela, só ela, e toda sua graça.

Quando finalmente, ela acordou e viu que ele estava ali o chamou,
_ Meu bem, o que fazes aí, entre!
Ele carregava algo nas mãos, era uma simples rosa, sem adorno ou vaso.
Segurava-a como colhera, nua, com espinhos e folhas, um lindo botão semiaberto.

Ele entregou a rosa ao seu amor, ela achou simples, porém muito belo seu gesto.
Mas havia algo muito peculiar nessa flor.
Ao entrega-la, ele contou-lhe pausadamente tudo o que envolvia aquela rosa.
_ Meu amor, esperei tanto por esse dia – começou ele sem rodeios – essa rosa, eu mesmo plantei há alguns anos, e dia após dia venho depositando meu amor nela, com o passar do tempo percebi que ela não morria, e cada dia continuava mais e mais linda, eu a colhi hoje, e lhe entrego como todo o amor que guardei todos esses anos, guarde-a, e cuide dela, e enquanto fizer isso ela permanecerá linda, viva e perfumada, e toda vez que dela cuidar lembrará de mim, e meu amor por você continuará crescendo.

Quase um ano passou, e mesmo no inicio não acreditando, aquela moça cuidou carinhosamente daquela rosa, e realmente ela continuava linda e viva.
Porém, a moça sentiu falta de algo nesse período, sentiu falta de amar de verdade, sentia-se envergonhada por aquele jovem lhe entregar todo o seu ser, seu amor e ela não conseguia o amar.

Por ela, tudo ele fazia, escrevia cartas, poesias.
Todo dinheiro que ganhava era para bajular a doce e meiga jovem.
Ela começou o ver por obrigação, nem vontade de beija-lo ela sentia.

Até que um dia, sem motivo aparente, ela começou a trata-lo mal,
Mandava voltar com os presentes, desprezava suas palavras,
E nem nos seus olhos mais queria olhar.

Mesmo mal tratado, ele ainda a amava,
Mesmo com duras palavras dela ele continuava tentando.
Não queria perder o grande amor de sua vida,
Não queria deixar acabar com algo, que ele achava que era tão lindo.

Com isso, aquela jovem parou também de cuidar da rosa que aquele rapaz que tanto a amava lhe deu.
A rosa, quase que imortal, num vaso praticamente seco, com agua turva, e sem nenhum cuidado estava murcha, algumas pétalas caídas ao chão, e o perfume? Não havia cheiro algum.
Mas o incrível aconteceu,
Mesmo com a rosa morta, aquele jovem continuou amando-a por toda sua vida.
Ela, não quis mais vê-lo, o resto que sobrara da flor juntou e jogou fora,
Se arrependia apenas de ter deixado se levar pelas palavras do rapaz e começado esse relacionamento.

Algum tempo depois ela conheceu outra pessoa, e aí sim apaixonou-se,
Trocaram até bons momentos juntos, porém nunca mais ela foi amada como aquele pobre jovem a amou.

6 comentários:

Roberta disse...

lindaaaa história!!!...

desmemória disse...

Aprendi que escrever é um ato de coragem. Mas ainda que me atreva, não me permito fazer de forma tão sincera.

Ao contrário da Roberta, não acho a história linda, acho egoísta. E de ambos os lados.

Parabéns, escritor, por se rasgar em palavras.
O tempo vai se encarregar de ensinar seus personagens a ampliar seus horizontes.
O rapaz ainda vai entender que todo esse amor esta nele e não no outro. Que é uma dádiva possuí-lo mas que a maioria das pessoas não esta preparda pra isso. A moça ainda vai entender que trocou uma possibilidade de felicidade que fazia bem hoje por uma possibilidade remota e longíngua de um futuro que ela julga mais bonito (incertezas são mais instigantes, mas ela pode se permitir esperar?). Pra ser feliz, ela também vai ter que entender que olhos de safira não são suficientes pra sustentar um amor. E também vai ter que entender que existem outras cores mais bonitas.

Wendel Araújo disse...

"Desmemória", seu comentário foi digno de um "re-comentário". Fiquei feliz por uma pessoa conseguir enxergar além de um texto meu. Obrigado pelo comentário, e por ter acrescentado coisas boas ao que escrevi. Não sou autor do blog, mas como autor do texto, convido-o a sempre que quiser vir visitar o Mania de Sentir.

desmemória disse...

Wendel, enxergar além é o mais importante. Pra mim, um bom texto deve permitir ao leitor resignificá-lo. Deve permiti-lo se encontrar na infinidade de sentidos possíveis(nas) entrelinhas.

Anna disse...

Caro Wendel...
Que linda essa história,você tem o dom de escrever e fez com que eu imaginasse toda sua história em minha mente.Continue escrevendo e encantando seus leitores.Parabéns.

Wendel Araújo disse...

Obrigado Anna!