janeiro 30, 2009

"NEOQEAV"


NEOQEAV


Meus avós já estavam casados há mais de cinqüenta anos e continuavam jogando um jogo que haviam iniciado quando começaram a namorar.

A regra do jogo era que um tinha que escrever a palavra "Neoqeav" num lugar inesperado para o outro encontrar e assim quem a encontrasse deveria escrevê-la em outro lugar e assim sucessivamente. Eles se revezavam deixando "Neoqeav" escrita por toda a casa, e assim que um a encontrava era sua vez de escondê-la em outro local para o outro achar.

Eles escreviam "Neoqeav" com os dedos no açúcar dentro do açucareiro ou no pote de farinha para que o próximo que fosse cozinhar a achasse. Escreviam na janela embaçada pelo sereno que dava para o pátio onde minha avó nos dava pudim que ela fazia com tanto carinho. "Neoqeav" era escrita no vapor deixado no espelho depois de um banho quente, onde a palavra iria reaparecer depois do próximo banho.

Uma vez, minha avó até desenrolou um rolo inteiro de papel higiênico para deixar "Neoqeav" na última folha e enrolou tudo de novo. Não havia limites para onde "Neoqeav" pudesse surgir. Pedacinhos de papel com "Neoqeav" rabiscado apareciam grudados no volante do carro que eles dividiam. Os bilhetes eram enfiados dentro dos sapatos e deixados debaixo dos travesseiros.

"Neoqeav" era escrita com os dedos na poeira sobre as prateleiras e nas cinzas da lareira. Esta misteriosa palavra tanto fazia parte da casa de meus avós quanto da mobília. Levou bastante tempo para eu passar a entender e gostar completamente deste jogo que eles jogavam. Meu ceticismo nunca me deixou acreditar em um único e verdadeiro amor, que possa ser realmente puro e duradouro. Porém, eu nunca duvidei do amor entre meus avós.

Este amor era profundo. Era mais do que um jogo de diversão, era um modo de vida. Seu relacionamento era baseado em devoção e uma afeição apaixonada, igual as quais nem todo mundo tem a sorte de experimentar. O vovô e a vovó ficavam de mãos dadas sempre que podiam.

Roubavam beijos um do outro sempre que se batiam um contra outro naquela cozinha tão pequena. Eles conseguiam terminar a frase incompleta do outro e todo dia resolviam juntos as palavras cruzadas do jornal. Minha avó cochichava para mim dizendo o quanto meu avô era bonito, como ele havia se tornado um velho bonito e charmoso.

Ela se gabava de dizer que sabia como pegar os namorados mais bonitos.

Antes de cada refeição eles se reverenciavam e davam graças a Deus e bençãos aos presentes por sermos uma família maravilhosa, para continuarmos sempre unidos e com boa sorte. Mas uma nuvem escura surgiu na vida de meus avós: minha avó tinha câncer de mama.

A doença tinha primeiro aparecido dez anos antes.

Como sempre, vovô estava com ela a cada momento. Ele a confortava no quarto amarelo deles, que ele havia pintado dessa cor para que ela ficasse sempre rodeada da luz do sol, mesmo quando ela não tivesse forças para sair.

O câncer agora estava de novo atacando seu corpo. Com a ajuda de uma bengala e a mão firme do meu avô, eles iam à igreja toda manhã. E minha avó foi ficando cada vez mais fraca, até que, finalmente, ela não mais podia sair de casa.

Por algum tempo, meu avô resolveu ir à igreja sozinho, rezando a Deus para zelar por sua esposa. Então, o que todos nós temíamos aconteceu. Vovó partiu. "Neoqeav" foi gravada em amarelo nas fitas cor-de-rosa dos buquês de flores do funeral da vovó. Quando os amigos começaram a ir embora, minhas tias, tios, primos e outras pessoas da família se juntaram e ficaram ao redor da vovó pela última vez.

Vovô ficou bem junto do caixão da vovó e, num suspiro bem profundo, começou a cantar para ela. Através de suas lágrimas e pesar, a música surgiu como uma canção de ninar que vinha bem de dentro de seu ser.

Me sentindo muito triste, nunca vou me esquecer daquele momento.

Porque eu sabia que mesmo sem ainda poder entender completamente a profundeza daquele amor, eu tinha tido o privilégio de testemunhar a beleza sem igual que aquilo representava.

Aposto que a esta altura você deve estar se perguntando: "Mas o que Neoqeav significa?".

Não está?

Nunca Esqueça O Quanto Eu Amo Você = "NEOQEAV"


(Autor Desconhecido)

A morte de nossos sonhos


A MORTE DE NOSSOS SONHOS

O primeiro sintoma de que estamos matando nossos sonhos é a falta de tempo.
As pessoas mais ocupadas
têm tempo para tudo.
As que nada fazem estão sempre cansadas.

O segundo sintoma da morte de nossos sonhos são nossas certezas. Porque não queremos olhar a vida como uma grande aventura a ser vivida, passamos a nos julgar sábios no pouco que pedimos da existência. E não percebemos a imensa Alegria que está
no coração de quem está lutando.

O terceiro sintoma da morte de nossos sonhos é a Paz. A vida passa a ser uma tarde de domingo, sem nos pedir grandes coisas, e sem exigir mais do que queremos dar.

janeiro 29, 2009

Pedido de demissão


PEDIDO DE DEMISSÃO

Conceição Trucom

Venho por meio deste, apresentar oficialmente meu pedido de demissão da categoria dos adultos. Resolvi que quero voltar a ter as responsabilidades e as idéias de uma criança de oito anos no máximo. Quero acreditar que o mundo é justo e que todas as pessoas são honestas e boas. Quero acreditar que tudo é possível.

Quero que as complexidades da vida passem desapercebidas por mim e quero ficar encantada com as pequenas maravilhas deste mundo. Quero de volta uma vida simples e sem complicações. Cansei dos dias cheios de computadores que falham, montanha de papeladas, notícias deprimentes, contas a pagar, fofocas, doenças e necessidade de atribuir um valor monetário a tudo o que existe.

Não quero mais ter que inventar jeitos para fazer o dinheiro chegar até o dia do próximo pagamento. Não quero mais ser obrigada a dizer adeus ás pessoas queridas e, com elas, à uma parte da minha vida. Quero ter a certeza de que Deus está no céu e de que, por isso, tudo está direitinho nesse mundo.

Quero viajar ao redor do mundo no barquinho de papel, que vou navegar numa poça deixada pela chuva. Quero jogar pedrinhas na água e ter tempo para olhar as ondas que elas formam. Quero achar que as moedas de chocolate são melhores do que as de verdade, porque podemos comê-las e ficar com a cara toda lambuzada.

Quero ficar feliz quando amadurecer o primeiro caju, a primeira manga ou quando a jabuticabeira ficar pretinha de frutas. Quero poder passar as tardes de verão à sombra de uma árvore, construindo castelos no ar e dividindo-os com meus amigos. Quero voltar a achar que chicletes e picolés são as melhores coisas da vida.

Quero que as maiores competições em que eu tenha de entrar sejam um jogo de bola de gude ou uma pelada. Quero voltar ao tempo em que tudo o que eu sabia era o nome das cores, a tabuada, as cantigas de roda, a "Batatinha quando nasce..." e a "Ave Maria" e que isso não me incomodava nadinha, porque eu não tinha a menor idéia de quantas coisas eu ainda não sabia.

Quero voltar ao tempo em que se é feliz, simplesmente porque se vive na bendita ignorância da existência de coisas que podem nos preocupar ou aborrecer. Quero acreditar no poder dos sorrisos, dos abraços, dos agrados, das palavras gentis, da verdade, da justiça, da paz, dos sonhos, da imaginação, dos castelos no ar e na areia.
Quero estar convencida de que tudo isso... vale muito mais do que o dinheiro!

A partir de hoje, isso é com vocês, porque eu estou me demitindo da vida de adulto.

O nó do afeto


O NÓ DO AFETO

Eloi Zanetti

Era um reunião numa escola. A diretora incentivava os pais a apoiarem as crianças, falando da necessidade da presença deles junto aos filhos. Mesmo sabendo que a maioria dos pais e mães trabalhava fora, ela tinha convicção da necessidade de acharem tempo para seus filhos.

Foi então que um pai, com seu jeito simples, explicou que saía tão cedo de casa, que seu filho ainda dormia e que, quando voltava, o pequeno, cansado, já adormecera. Explicou que não podia deixar de trabalhar tanto assim, pois estava cada vez mais difícil sustentar a família. E contou como isso o deixava angustiado, por praticamente só conviver com o filho nos fins de semana.

O pai, então, falou como tentava redimir-se, indo beijar a criança todas as noites, quando chegava em casa. Contou que a cada beijo, ele dava um pequeno nó no lençol, para que seu filho soubesse que ele estivera ali. Quando acordava, o menino sabia que seu pai o amava e lá estivera. E era o nó o meio de se ligarem um ao outro.

Aquela história emocionou a diretora da escola que, surpresa, verificou ser aquele menino um dos melhores e mais ajustados alunos da classe. E a fez refletir sobre as infinitas maneiras que pais e filhos têm de se comunicarem, de se fazerem presentes nas vidas uns dos outros. O pai encontrou sua forma simples, mas eficiente, de se fazer presente e, o mais importante, de que seu filho acreditasse na sua presença.

O mundo dá voltas


E a crise mundial continua. E não vai parar tão cedo. Uma pesquisa feita com economistas, estudiosos e executivos do mundo inteiro e divulgada esta semana, revela que a crise que nos atormenta durará ainda, pelo menos, três anos.

É a queda da grande potência. Será mesmo que Obama conseguirá reverter o caso? Os especialistas entrevistados ainda afirmam que esse será o tempo para os países em desenvolvimento conseguirem seu espaço de vez no G8.

Qual a conclusão podemos tirar disso?

Assim como já abordamos aqui no Mania de Sentir, a previsão é de que até 2020 a China já seja a maior potência mundial. E que até 2050 o Brasil esteja entre os 4 mais ricos, ficando até mesmo na frente dos Estados Unidos.

Essa crise então parece ser a confirmação dessas previsões. A grande potência pode já não ser mais a mesma. Essa, com certeza, é a hora em que o mundo vai tomar outra forma. Podemos dizer que estamos entrando em uma nova era política.

Depois da Casa Branca ser dividida entre as famílias Clinton e Bush durante 4 mandatos, e correndo o risco de ser comandada por Hillary Clinton, dando seguimento a essa corrente, a profecia foi quebrada e Obama assumiu o poder. É realmente uma mudança radical.

É bom pensar sobre isso pra não se assustar lá na frente. O tempo passa rápido e o mundo gira sem parar.

janeiro 28, 2009

Minha Inspiração

Minha Inspiração



Hoje quando eu sentei na mesa, e nas mãos posicionei o meu caderno,

pensei em escrever sobre o mar e o seu bramido,

ou sobre o céu e um lindo sol,

talvez ficaria legal falar sobre as flores e seus perfumes,

mas nada combinava.


Pensei em Belas artes,

ou talvez em ouvir uma música suave.


Veio-me a idéia de falar da noite,

a lua e as estrelas,

quem sabe uma cachoeira e um arco-íris,

talvez um romântico pôr do sol junto à praia?


A inspiração não vinha;

as palavras me faltavam.


Analisei:

Grandes poetas se inspiram em quê para escrever suas poesias?

Seria o amor?

Seria uma linda mulher?

Seria uma angustia ou uma dor?

Seria uma decepção ou uma perda?


Ah, mas não sou um grande poeta,

nem faço belas poesias


Então fechei meus olhos,

e por alguns instantes viajei pelo mundo,

até que veio um largo sorriso nos meus lábios,

e ao abrir os olhos,

veio-me a inspiração, e ali, naquele momento,

Comecei a escrever o que seria a mais especial das minhas poesias,

pois a primeira palavra que eu escrevi naquela folha de papel foi o seu nome.



Wendel Araújo